
Resposta rápida
Um recorde por faixa etária é o tempo mais rápido já nadado numa prova por um nadador daquela faixa de idade. Ele mostra o teto, não o que o seu filho deveria buscar. Para acompanhar o seu nadador, use duas coisas: os melhores tempos pessoais dele ao longo do tempo e os índices da idade e da prova exatas dele (nos Estados Unidos, B, BB, A, AA, AAA e AAAA). O recorde diz o que é possível. Os índices dizem onde o seu filho está e qual é o próximo passo.
Um recorde canadense mostra como isso funciona melhor do que qualquer gráfico. Ele durou 35 anos e depois caiu duas vezes em menos de três.
Um recorde, três nadadoras
9 de janeiro de 1988, Etobicoke, Ontário. Allison Higson, 14 anos, do Etobicoke Swim Club, nada os 100 m peito em 1:08.64 numa piscina de 25 metros (piscina curta, SCM). É o recorde canadense da faixa 13-14 anos feminina (histórico de recordes da Swimming Canada, fim de 2022).
14 de janeiro de 2023, Winnipeg. Halle West, 14 anos, do Manta Swim Club, faz 1:08.09 no New Year's Invitational: 32.10 nos primeiros 50 e 35.99 nos segundos. O recorde de Higson tinha durado 35 anos (histórico de recordes da Swimming Canada, fim de 2023).
12 de dezembro de 2025, Toronto. Shima Taghavi, do Hyack Swim Club, faz 1:07.78 no Ontario Junior International. Esse é o recorde hoje (Swimming Canada, recordes atuais da faixa 13-14).
Aí já estão duas lições para os pais. Um recorde pode ficar intocado por décadas, então ele diz muito pouco sobre as outras crianças na piscina. E quem bate recordes é exceção rara, não uma régua contra a qual qualquer criança deva ser medida.
Allison Higson até os 15 anos

Allison Higson em Seul 1988, aos 15 anos, menos de quatro meses depois de bater o recorde mundial.
A carreira adolescente de Higson teve três grandes momentos num intervalo de dois anos e meio.
Edimburgo, 1986. Aos 13 anos, ela venceu os 100 e os 200 m peito nos Jogos da Commonwealth, além de uma prata no revezamento. No mesmo ano, foi bronze nos 200 peito no Campeonato Mundial. Nas duas competições, foi a medalhista mais jovem da história (biografia no Olympics.com).
28 de maio de 1988. Aos 15 anos, na Seletiva Olímpica do Canadá, ela nadou os 200 m peito em 2:27.27 numa piscina de 50 metros (piscina longa, LCM). Era recorde mundial (perfil da atleta na World Aquatics). Naquele verão, a TV Guide publicou uma reportagem sobre ela chamada "Making Waves".
Seul, setembro de 1988. Na final olímpica da mesma prova, ela terminou em 7º. Silke Hörner, da Alemanha Oriental, venceu com 2:26.71, mais rápido que o recorde de Higson. Higson também ficou em 4º nos 100 peito e ganhou bronze no revezamento 4x100 medley (Olympics.com, resultados dos 200 m peito em Seul 1988).
Um recorde mundial em maio e um 7º lugar em setembro. Mesma nadadora, mesma prova, mesma idade. Mesmo no topo absoluto, os resultados na adolescência não andam em linha reta.
Por que a evolução na adolescência não é uma linha reta
Alguns sobem rápido aos 13. Outros decolam aos 17. Alguns encontram a melhor prova anos depois de nadá-la pela primeira vez. Estirões de crescimento, anos de treino antes da puberdade, mudanças na coordenação, sono, lesões e proporções do corpo que alteram o arrasto na água, tudo isso pesa, e nada disso chega com hora marcada. Nosso artigo sobre estirão de crescimento e desempenho na natação mostra os padrões mais comuns.
Isso é uma boa notícia: há espaço para todo tipo de caminho. Uma criança que está no meio do pelotão aos 11 e chega ao AA aos 14 está numa trajetória normal. Uma que ganhava tudo aos 9 e estabilizou aos 13 também. Elas só pedem conversas diferentes com o técnico.
Os dois números que vale acompanhar
Melhor tempo pessoal (MP). O tempo oficial mais rápido do seu filho numa prova, em toda a carreira. Se o seu filho de 13 anos nadou um 100 livre mais rápido aos 12, aquele tempo antigo continua sendo o MP. O MP mostra se o treino está funcionando. Para entender a diferença entre MP e melhor tempo da temporada, veja melhor tempo da temporada x melhor tempo pessoal.
Posição no ranking da faixa etária. Onde o seu filho está entre os nadadores da mesma idade numa prova, na região ou no país. O ranking mostra a posição competitiva.
Acompanhe os dois. Um nadador pode manter a mesma posição no ranking enquanto o MP continua caindo: o treino funciona, e os colegas melhoram no mesmo ritmo. Um nadador pode baixar três segundos e mesmo assim cair na lista, porque todo mundo em volta ficou mais rápido. Nenhum dos dois casos é ruim. Se você olhar só o ranking, não vê a melhora. Se olhar só o MP, não vê que o grupo está andando.
Índices: a ponte entre os dois
Os índices dizem se um tempo é bom para a idade e a prova exatas do seu filho.
- Nos Estados Unidos, a USA Swimming publica índices motivacionais que vão do B, passando por BB, A, AA e AAA, até o AAAA, em dois PDFs (por idade e por faixa etária) para 2024 a 2028. A USA Swimming monta esses índices a partir do "tempo do 25º colocado mais rápido por prova, sexo e faixa etária" dos quatro anos anteriores (FAQ de tempos).
- No Canadá não existe essa escada de B a AAAA. As metas são os índices das competições provinciais e nacionais. Nosso guia dos índices da Swimming Canada explica o caminho.
Os índices mudam com a idade. Para uma menina nos 100 livre em piscina de 25 jardas, o BB é 1:12.19 aos 11 anos e 1:05.89 aos 14. Chegar ao BB aos 14 é uma conquista diferente de chegar a ele aos 11.
Para aprender a ler as letras, veja o que é um bom tempo de natação por idade e o guia dos índices da USA Swimming.
O Gophin carrega os resultados oficiais do seu filho e mostra cada melhor tempo em relação ao índice que você escolher, com a diferença para o próximo. É gratuito.
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A pergunta que vale fazer ao técnico
A pergunta errada é "meu filho vai ser o próximo recordista?". Ninguém consegue responder isso, e ela coloca pressão na criança por algo que ninguém controla.
A pergunta certa tem duas partes. Primeira: o meu filho está perto dos índices esperados para a idade dele nas provas que mais nada? Segunda: qual próximo índice parece alcançável nos próximos 6 a 12 meses, e como é o treino para chegar lá?
O técnico consegue responder isso em detalhes, porque é uma pergunta de treinamento. Ajuda se você chegar com os mesmos números que ele tem. Para formas práticas de organizá-los, veja como acompanhar os tempos de natação e, para o quadro geral, o pai de nadador que apoia.
O que fazer esta semana
- Procure as duas últimas provas do seu filho. Anote a data, a prova, o tipo de piscina (25 ou 50) e o tempo.
- Veja onde cada tempo cai na tabela de índices da idade e da prova exatas dele: B, BB, A, AA, AAA, AAAA ou "ainda não B", que também conta como ponto de partida.
- Confira se cada tempo é melhor tempo da temporada, melhor tempo pessoal ou nenhum dos dois. Isso dá a você a história para comemorar, ou uma pergunta tranquila para o técnico.
A maior parte do que os nadadores jovens conquistam nunca vai estar num livro de recordes. Aparece num B virando BB, num BB virando A, e numa criança saindo da piscina com um tempo melhor do que na última competição. Os índices, os rankings e a lista de melhores tempos pessoais são a forma de acompanhar isso.
Veja a posição do seu nadador no ranking da idade dele (Rankings, sem login)
Fontes
- Swimming Canada, recordes canadenses por faixa etária, 13-14 anos feminino, piscina curta: recordista atual e as listas históricas do fim de 2022 e de 2023.
- Base de resultados do Gophin: Halle West, 100 m peito SCM, New Year's Invitational, 14 de janeiro de 2023 (1:08.09, parciais 32.10 e 35.99).
- World Aquatics, perfil de Allison Higson: 200 m peito em 2:27.27, recorde mundial, 28 de maio de 1988.
- Olympics.com, biografia de Allison Ann Higson e resultados dos 200 m peito feminino em Seul 1988.
- USA Swimming, índices motivacionais 2024–2028 e FAQ de tempos.
- TV Guide, 20 de agosto de 1988, "Making Waves", de Dave Moorhead (fonte da época, reproduzida acima).






