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O que dizer depois de uma prova ruim (e o que não dizer)

By Fabio Verschoor12 Mar 20254 min
O que dizer depois de uma prova ruim (e o que não dizer)

Resposta rápida

Depois de uma prova ruim, não comece pela análise. "Eu adoro ver você nadar" funciona muito melhor do que "o que aconteceu?". A técnica é assunto do técnico, e para depois. Nos próximos trinta segundos, o seu papel é ser pai ou mãe.

Depois de um 200 medley ruim numa competição em Langley, a Rafa veio na minha direção com lágrimas escorrendo pelo rosto. O meu instinto, imediato, visceral, foi falar do tempo. Explicar o que deu errado no trecho de peito, comentar a parcial. Consegui me segurar, mas por pouco. Foi nesse dia que aprendi que as primeiras palavras que saem da minha boca importam mais do que qualquer análise de prova.

Se você já foi aquele pai ou aquela mãe parado atrás da arquibancada, sem saber o que dizer, você não está sozinho.

Talvez ele tenha piorado o tempo. Talvez tenha sido desclassificado. Talvez simplesmente não estivesse num bom dia e não faça ideia do porquê. Seja como for, o que você disser nos próximos trinta segundos importa mais do que você imagina.

Segure a vontade de consertar

O impulso vem na hora: perguntar o que aconteceu, analisar a prova, dar sugestões. Você quer ajudar. É natural.

Mas agora o seu nadador não precisa de um técnico. Precisa de um pai ou de uma mãe.

A pior coisa que você pode dizer é "O que aconteceu?", porque a pergunta dá a entender que algo deu errado e precisa de explicação. O seu filho já sabe que a prova não foi boa. Fazer ele narrar o fracasso em voz alta, ainda pingando e com as emoções à flor da pele, não o ajuda a digerir o que houve. Faz ele reviver tudo.

A melhor coisa que você pode dizer

As pesquisas sobre pais no esporte apontam na mesma direção: num estudo de 2014 com jovens tenistas, seus pais e técnicos, o envolvimento dos pais que ajudava era o que tornava o esporte mais prazeroso para a criança, do ponto de vista dela (Knight & Holt, 2014). Os técnicos Bruce Brown e Rob Miller, que passaram anos perguntando a atletas universitários o que eles queriam ouvir dos pais, relataram a mesma resposta curta, de novo e de novo. Adaptada para a piscina:

"Eu adoro ver você nadar."

Só isso. Sem análise. Sem "pelo menos". Sem comparar tempos. Só a afirmação de que a sua presença na piscina não tem nada a ver com o placar e tem tudo a ver com ele.

Outras respostas que funcionam bem:

  • "Tenho orgulho de você."
  • "Prova difícil. Fico feliz que você estava lá."
  • "Vamos comer alguma coisa?"

Repare no que todas têm em comum: nenhuma fala do cronômetro.

O que não dizer

Uma revisão sistemática de 2024 na Frontiers in Psychology encontrou o que muitos técnicos já desconfiam: a pressão dos pais anda junto com pior motivação nos atletas jovens, enquanto o apoio anda junto com prazer e persistência (Gao et al., 2024). Algumas frases parecem apoio, mas carregam uma pressão escondida:

  • "Na próxima você consegue": coloca o foco no desempenho futuro e cria uma expectativa que ele talvez não esteja pronto para carregar.
  • "Pelo menos você não foi o último": ensina a medir o próprio valor comparando-se com outras crianças, e não com a própria evolução.
  • "O seu colega fez esse tempo no mês passado": comparar o seu filho com outra criança depois de uma prova ruim é um dos jeitos mais rápidos de criar ressentimento, com você e com o esporte.
  • "Não parecia que você estava se esforçando": você não estava na água. Não sabe o quanto ele estava se esforçando. Essa frase machuca mais do que a maioria dos pais imagina.

Deixe ele digerir

Provas ruins fazem parte da natação. Todo nadador rápido da história teve provas que queria esquecer. A capacidade de digerir um resultado decepcionante, aprender com ele e voltar mais forte é uma das habilidades mais valiosas que o esporte ensina.

Mas digerir leva tempo. Alguns nadadores querem conversar na hora. Outros precisam de uma hora, ou de uma noite inteira de sono, antes de estarem prontos. Não force a conversa.

Quando ele estiver pronto (e ele vai deixar claro), pergunte sobre esforço e sensação, não sobre o cronômetro:

  • "Como você se sentiu nessa prova, comparando com a última?"
  • "Você ficou contente com a sua saída?"
  • "Tem alguma coisa que você quer trabalhar no treino?"

Essas perguntas deixam a experiência nas mãos dele. É ele quem decide o que importou e o que vem a seguir.

Quando chegar a hora de olhar a prova, normalmente um ou dois dias depois e só se o seu nadador quiser, o contexto ajuda mais do que o resultado isolado. A Comparação de Temporadas no Gophin coloca aquela prova ao lado do resto da temporada e da temporada passada na mesma prova, o que costuma mostrar uma prova ruim pelo que ela é: uma prova. É grátis.

Não é sobre a prova

Esta é a verdade fácil de esquecer na hora: a relação do seu filho com a natação vai ser moldada muito mais pela forma como você reage às provas ruins do que pela forma como comemora as boas.

Uma piscina que parece um lugar seguro, principalmente quando os resultados não são bons, é o que mantém as crianças amando a água. Para ir além, veja como ser um pai ou uma mãe que apoia o nadador e como o seu estresse afeta o seu nadador.

Seja esse pai. Seja essa mãe.

O tempo pode esperar até vocês chegarem em casa. Mais tarde, se o seu nadador quiser olhar, abra a Análise de Parciais no Gophin para ver as parciais oficiais, muitas vezes uma explicação mais calma do que qualquer coisa dita na borda (como ler as parciais). O caminho do bloco até você é para a pessoa, não para a planilha. É grátis.

Fontes

  • Knight, C.J. & Holt, N.L. (2014). Parenting in youth tennis: Understanding and enhancing children's experiences. Psychology of Sport and Exercise, 15(2), 155–164. doi.org/10.1016/j.psychsport.2013.10.010
  • Gao, Z. et al. (2024). The role of parents in the motivation of young athletes: a systematic review. Frontiers in Psychology, 14:1291711. doi.org/10.3389/fpsyg.2023.1291711

Perguntas frequentes

  • O que dizer depois de uma prova ruim de natação?
    Primeiro, "Eu adoro ver você nadar". Depois, água, parka e espaço. Conversa sobre técnica é com o técnico, mais tarde, e não no caminho do bloco até você.
  • O que não dizer depois de uma prova ruim?
    Evite "o que aconteceu?", "semana passada você ganhou dele" e uma autópsia das parciais na hora. Isso só joga vergonha em cima de uma criança que já viu o cronômetro.
  • Quando podemos olhar o tempo?
    Depois que ele estiver calmo. Entre no Gophin mais tarde, se quiser ver o resultado oficial e as parciais. A borda da piscina é para a pessoa, não para a planilha.
Fabio Verschoor

Fabio Verschoor

Fundador e CEO, Gophin

Pai de nadadora, cientista da computação e empreendedor serial. Quando minha filha entrou na natação competitiva, juntei minha paixão por esporte e tecnologia para criar o Gophin, para que toda família consiga acompanhar o desempenho com clareza.

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